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terça-feira, 26 de maio de 2015

Raiane Melo - Sobre evolução, campeonatos e psico


Por: Raiane Melo


Oi pessoal! Vim contar para vocês sobre minha participação nos campeonatos desse ano, que mostra a minha transição do amador para o pro. Comecei a treinar forte no final de janeiro focando no Master de Bouldering da The North Face que aconteceria no dia 20 de março no Chile. Também surgiram Os Jogos Cariocas de Verão no RJ que aconteceram nos dias 7 e 8 de março. Eu e o Melquior decidimos então participar, como uma forma de teste para o Chile, e fomos muito bem , conseguimos ir para a final e eu por alguns erros que cometi permaneci em quinto lugar. Foi um campeonato muito legal e uma ótima preparação para o Chile.


No Chile o campeonato é monstruoso, o muro é gigante e a classificatória contava com 5 boulders. Consegui encadenar dois boulders um a vista e outro de segundo pega, peguei em uma agarra bônus e nos outros dois boulders não consegui muita coisa. Não sabia como seria o resultado, mas não tinha muitas esperanças, pois tinha ouvido falar que tinham muitas mulheres fortes nesse ano. Saindo o resultado somente 15 mulheres passavam para a semifinal e para passar tinha que ter encadenado 3 boulders e pegado em 2 agarras bônus no mínimo. Para vocês terem uma ideia as 7 primeiras mulheres mandaram tudo e ficaram empatadas. O Brasil foi bem representado na semifinal com a Bianca Castro, Thais Makino e Patricia Antunes. Fiquei bem feliz com o meu resultado e a experiência que eu tive foi imensurável, voltei para o Brasil muito motivada a treinar e com a certeza que tudo que a gente quiser a gente pode conseguir, basta acreditar.

Agora o foco era o Campeonato Brasileiro de Boulder da ABEE em Porto Alegre. Treinei até a semana do campeonato e também fui mais para a pedra, consegui mandar meu primeiro V5 (The Doors em Sabará), o que me deixou mais tranquila de saber que estou evoluindo. No campeonato eu estava indo muito bem, encadenando os boulders a vista, mas depois precisava de encadenar uns boulders com valores mais altos, fiquei tentando vários e não consegui encadenar nenhum com o valor que poderia ter me passado para a final, eu deveria ter focado em um só e talvez eu poderia ter mandado. São detalhes que fazem a diferença e que na hora você não consegue pensar direito no que deve ser feito. Mas peguei isso tudo como aprendizado para que nos próximos campeonatos eu possa ir melhor. 

Passou uma semana e teve o Campeonato Brasileiro de Boulder da CBME no Rio de Janeiro, no festival tivemos 11 mulheres, comecei muito bem encadenei alguns boulders e fiquei malhando outros que valiam muitos pontos. Faltava 1 hora para o término e fui vencida pela minha cabeça, já imaginava que não dava mais para mim e cada vez que eu entrava no boulder não conseguia mais me concentrar e parecia que tinha um diabinho na minha orelha falando: “desiste, não da mais, você não consegue”. E não deu mesmo, passavam 6 mulheres para a final e eu fiquei em sétimo. Eu acho que tudo é aprendizado e que se aconteceu desse jeito foi para eu aprender a me valorizar e manter a cabeça no lugar até o último minuto do festival.

Foram 4 campeonatos em menos de 4 meses e eu aprendi muito sobre mim mesma, sobre o que eu devo fazer e o que eu nunca mais vou fazer. Na escalada 80% é cabeça e 20% é força, se você acha que você não vai conseguir quem que vai achar para você?! A palavra que define o que eu aprendi nisso tudo é ACREDITAR, acredite em você porque nada nessa vida é impossível. Foi um enorme privilégio escalar com tanta mulher monstra e é isso; vivendo e aprendendo, errando e aprendendo, aprendendo e vivendo! Kmon mulherada vamos dominar o mundo!!




quarta-feira, 13 de maio de 2015

BIG 500 no Anhangava

Elas vivem intensamente e respiram o espírito da montanha...
Uma das escaladoras mais completas que conheço nos mandou seu relato de como foi participar de um BIG 500 no Moro do Anhagava, e está imperdível!
Por: Flora Kesselring Zugaib
Minha história com o desafio proposto pelo escalador Julio Nogueira , começou no BIG 1000, fazer mil metros de escalada no Campo Escola Morro do Anhangava. Desafio que completei com meu companheiro e parceiro Thomás Kämpf.
O seguinte desafio proposto era o BIG 500, escalar 500 metros no Anhangava.
Pensei, é a hora de fazer uma parceria feminina!!! Como em 2014 passei uma boa temporada na Argentina e Chile em companhia de amigos, dentre eles a escaladora baiana Luan Krung, nos tornamos amigas e justo ela estava passando uma temporada por aqui, no Anhangava onde moro.. Perfeito, pois eu conheço bem o morro e ela estava afiada em escaladas longas!!!
Apesar de termos estado na Patagônia não tínhamos escalado juntas, precisaríamos afinar a parceria e os procedimentos. Fomos treinar. Na primeira investida choveu, armamos um top rope em uma via fácil e fizemos muitas vezes escalando e desescalando, na segunda investida, fomos nos setores onde tem vias longas e na terceira fui apresentar pra “Parça” algumas vias que ela não conhecia. Afinamos os procedimentos de uma forma incrível, quando a segunda escaladora chegava na parada o rapel já estava pronto e descíamos bem rápido em “A” (este rapel exige uma boa sincronia das parceiras).
Fomos para nossa primeira tentativa!!! O combinado era olharmos o relógio, priorizar a segurança, fazer nosso melhor e só olhar o relógio no final!!! Nossa meta dos sonhos era 100 metros por hora!!!
Luan estava muitOOo gripada no dia... Depois da primeira via ela ressuscitou e tocamos pra cima!!! Nossa estratégia não tinha muita lógica, escalar em 3 setores diferentes fazendo 16 vias, o mais lógico seria escalar o menor número de vias e as vias maiores, fomos da forma que sentimos ser o melhor pra nós. Fiz uma cópia à mão das vias e metragens e nos baseamos nela.
Escalamos correndo!!! Foi demais!!! Não dava tempo nem de sentir o friozinho na barriga, mas sempre uma cuidando da outra. Luan foi sensacional, voava no granito exigente da Anhangava e a gripe?! Sei lá onde foi parar...
Terminamos, olhamos no relógio tínhamos feito em 5 horas!!! 100 metros por hora!! Super contentes anunciamos o feito e entreguei o relatório... Por um descuido nas anotações não tínhamos realmente feito os 500 metros e sim 499... Como 499 não são 500, fomos de novo!!!
A mesma estratégia ,só trocamos uma via de 19 metros por outrade 20.Desta vez tinham mais duplas tentando, por pouco não rolou congestionamento .Escalamos o mais rápido possível ... Olhamos no relógio tínhamos conseguido fazer em 4 horas!!! Maravilhoso!!!125 metros por hora!!! Missão pessoal mais que cumprida!!!
Os benefícios, aprendi a não me afobar, descobri que a parceira sempre tem muito a ensinar e dá certo quando uma cuida da outra, aprendi também a ser mais agilizada com manejo de corda e procedimentos e que somos capazes de realizar nossos sonhos mais distantes!!! Participem do Big 1000 e do Big 500, só ensinamentos!!! Obrigada Luan Leony Krug e Julio Nogueira !!
Apoio- Quatro Ventos , Campo Base, Flor e Alto Estilo.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Relato da Campeã Brasileira de Boulder!

O Campeonato de escalada em Boulder estava lindo esse ano. A academia On sight onde ocorreu a etapa é um lugar muito aconchegante e a estrutura está incrível, sem contar que a galera é super carismática e se faz amizades fácil por lá.
Eu e meu marido chegamos na manhã de sexta feira em Porto Alegre e passamos o dia no hotel descansando. Na manhã de sábado começou a classificatória, que foi no modelo festival, tinham 25 linhas de diferentes graduações e muito bem elaboradas pelos route seters.

Comecei o festival me sentindo bem e no decorrer da manhã fui ficando meio cansada, já tinha mandado os boulders de graduação media e me faltava entrar em algum mais difícil, valendo mais pontos, assim eu garantiria uma vaga para final. Foi então que depois de muitas tentativas e sobre a vibe da galera finalizei um Boulder azul, me classificando em segundo lugar para as finais.
Descansei e me alimentei bem durante a tarde e perto das 17:30 fui para o isolamento dos atletas. Só tinha fera na final, Anna Shaw, Andreia Rissi, Jan Cardoso, Thais Makino e Bianca Castro era intimidador olhar para o lado...rs. Foram montados 3 boulders e já durante a leitura percebi que estavam difíceis, mas visualizei bem como finalizar as linhas e foi assim que permaneci durante todo o isolamento, pensando em como resolveria os 3 problemas. 
O Boulder 1 estava na vertical e nas minhas duas tentativas cai indo para ultima agarra. O Boulder 2 foi mais tranquilo pra mim e mandei de primeira sem ter muitos problemas. Já o Boulder 3 foi mais tenso, alcancei a agarra bônus somente na segunda tentativa e não fiz Top.
Após descer do terceiro Boulder pude assistir a ultima competidora escalando, e já na hora me avisaram que se ela não mandasse o Boulder eu seria campeã, pois fui a única mulher a “avistar” uma das linhas. E foi assim que aconteceu o Bi Campeonato. Subir no podium foi muito legal e emocionante, tinham muitos amigos torcendo por mim e fizeram a maior festa. Obrigada a todos que compareceram e gritaram muito e também pelos que enviaram mensagem de força, energia e torcida. 
Estou muito feliz com mais esse resultado e só tenho a agradecer a muitas pessoas. Sozinha eu jamais teria conseguido.

Camila Macedo contou com o apoio de: Caverna Escalada Caverna Ginásio Escalada, Campo Base Ginásio de Escalada , Marumby Montanhismo, Matramba Cartucheiras, Parque Natural Braço Esquerdo , Cardoso Treinamento em altura, Escalemais.com.br, Leo Boiarski Fisioterapia

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Por trás de uma cadena

Por: Ana Lígia Fujiwara
Eu nunca tive pressa pra encadenar uma via. Sou daquele tipo de pessoa que costumava ler 3 livros ao mesmo tempo... nada mais normal que ir à Itaqueri (nosso quintal da escalada) e entrar em 3 projetos no mesmo dia. Mas isso funcionava enquanto eu estava malhando os oitavos... Por causa das minhas lesões nas mãos, não posso forçar demais. Quando comecei a entrar nos nonos, tive que aprender a focar em 1 via só. Primeiro aprendizado: focar em 1 projeto
Sempre escalei para me divertir, então entrava pra tentar minhas cadenas, rindo ou conversando, despreocupada, porque a coisa era mais leve. Já no nono grau, tive que aprender a me concentrar, porque a via exigia mais do que resistência, força ou performance... eu precisava parar de escalar intuitivamente e tentar decorar a grande quantidade de detalhes... Não era só mexer o pé, depois o outro, depois as mãos e clipa. Entre um movimento e outro tinha que encaixar o calcanhar, travar a coxa, segurar o quadril e só depois costurar. Segundo aprendizado: decorar a via!
Como eu amo escalar, ir para o pico e entrar numa via só, era sofrido demais... Então o que fazer? Bora tentar encadenar essa via, pra partir pra outra... Nesse momento veio a pressão da cadena. Como lidar com isso, já que eu sempre escalei por diversão? As cadenas vinham até mim como presentes. Agora tudo mudou. Eu estou indo buscá-las. Terceiro aprendizado: lidar com a pressão da cadena!
A via toda feita e eu caindo de bobeira... Não faltava nada... Mas continuava perdendo a cadena. Foi quando o Rafa disse “você tá sólida na via... já te vi encadenar ela várias vezes... o que tá te derrubando é sua cabeça”. Eu me pressionando demais, mas me divertindo menos.
Foi quando eu li um post da escaladora Paisley Close sobre os benefícios da meditação para escalada (conheça o blog dela em paisleyanne.com). Comecei a treinar meditar antes de escalar e aprendi a acalmar minha cabeça, focar na via... e voltei a me divertir! Quarto aprendizado: meditar!
Melhorou, mas mesmo assim notei que ainda faltava algo. Percebi que eu meditava e ficava pronta pra cadena. Mas bastava eu me encordar e calçar a sapatilha, que o nervosismo tomava conta de mim. Fazia o primeiro movimento carregando a via toda nas costas... Percebi que eu precisava “dividir” a via! Fazia a saída e zerava a cabeça. Depois chegava no crux e zerava de novo. Aí vinha a costura tensa... clic... pronto! Mais uma vez zerava! Quando entrava no crux, só tinha ele pra levar comigo! Fiz assim, até que me acostumei a trabalhar minha cabeça... e a cadena veio! Presentão!! Quinto aprendizado: dividir a via!
Escalada é assim: uma paixão, um estilo de vida e sempre um aprendizado!
Fizemos um vídeo que conta um pouco da história dessa cadena. Pra quem ainda não viu: https://vimeo.com/84829402
Ana Lígia Fujiwara, mãe apaixonada do Gabriel, casada com Rafa, amor, amigo e parceiro de escalada.
Ela escala a mais de 10 anos e trabalha no EscaladaINT www.escaladaint.com.br e na Five Ten Brasil.
Apoio: Five Tem Brasil, Deuter, Hipnose - Saco para magnésio diferenciado, 4climb e Lady on Rock.

Foto:
Via Dúvida Cruel 9b
Itaqueri da Serra/SP
Créditos: Rafael Rodrigues